Eu sou daquelas pessoas que gosta de pequenos luxos – e um destes dias coloco aqui um post que vos elucide mais sobre mim mas neste momento dedicar-me-ei apenas a um desses luxos.
A fruta.
Liberta-me do stress porque naquele momento parece que estou a comer o que de mais natural existe… algo que não é manufacturado. Melhor ainda se puder dar umas belas trincas e lambuzar-me com o suco da fruta em questão.
Junto a isso o facto de gostar de dizer que de vez em quando vou à mercearia – é chique não é? Mas é simplesmente pelo facto de ali a fruta parecer mais real, a fruta no supermercado não sabe ao mesmo, está amontoada, não tem cheiro, está fria dos frigoríficos… já não parece fruta.
Bom… não querendo divagar muito, isto tudo para dizer que para mim fruta é um luxo, logo um prazer extremo.
Vinha pensativa daquele suposto relax pós-almoço e resolvi parar para comprar fruta, quando fui abordada por um dos muitos vendedores da revista Cais que, perante a minha não vontade em comprar a revista, me pede que então lhe dê uma fruta porque tem em casa dois filhos.
Sempre aprendi com os meus pais que não se nega comida – A NINGUÉM.
Eis algo de que me orgulho e que me compele de forma natural.
E quem nunca passou fome, que é a generalidade das pessoas que me rodeiam, deveria saber apreciar bem o valor que ‘comer’ tem. Não é comer gourmet. Comer, só isso.
“Escolha a fruta que quer” e ele ainda me pergunta qual é a mais barata. “Escolha a quer, a que tem vontade de comer”.
Entro na mercearia – qual twilight zone – para pesar o que eu tinha escolhido para mim e sou presenteada com o que de melhor tem o ser humano.
“Olhe que a menina se lhe diz que pode escolher ele escolhe a fruta mais cara”
Estremeci e pensei que não seria por mal mas sim por bestial ignorância aquela informação, mas nem tive tempo de me refazer.
“Olhe que ele enche um cesto fruta se a menina não controla” - Leia-se «Mais uma que pensa que é da legião dos bonzinhos…”
“Está a ser boazinha vai ver ainda acaba a pagar um frango assado com arroz para acompanhar e tudo” - Leia-se «Estúpida consumidora, a gaja acha mesmo que é a Madre Teresa de Calcutá»
Eis quando a minha capacidade de abstracção já não subsiste mais e, em bom som no meio de uma mercearia de gente que entretanto se tinham juntado num rebanho sem questionar.
“Parece-me a mim que quem vai pagar as bananas sou eu e isso não lhe diz respeito… e eu quero dar 5, ponha-se no seu lugar …”
Leve… demasiado leve eu sei… mas naquele momento se pudesse tinha virado verdadeiro boneco animado em que eu era um super-herói que batia no mau até ele jorrar o líquido verde que lhe corre nas veias.
“Cada um dá o que quer” diz a beata por trás do balcão meio a medo do colega e na tentativa de deitar água na fervura.
Gente de merda é o que é. Comem, cagam, mas não sabem pensar. São daquela ceifa de gente que acha que dar é alimentar vícios, ou então pior, daqueles que já passaram algumas dificuldades e acham que os outros têm de sofrer ainda mais, ou então dos que gritam vivamente “vai p’rá tua terra” quando normalmente eles próprios até são de uma terra que não aquela onde estão – vivem apartados de tudo e à boca cheia vomitam que o país não anda é por causa de preguiçosos, drogados e pedintes. Metem nojo!!
Não existe muito que se possa dizer de gentinha assim. Ou então temos de dizer muito na esperança de lhes condicionarmos os pensamentos… se é que conseguem ter a desenvoltura mental de um animal – muito ao jeito de Pavlov.
Quero cá eu bem saber se as bananas são para ele ou para os filhos, ou se ele tem filhos, se este a quem dei é um dos mil mentirosos que se cruzam e pedincham sem real necessidade… não sou ninguém para julgar os outros e não consegui negar comida. Se calhar precisa mesmo.
Eu precisei de dar, não para me sentir bem mas porque não se nega comida a ninguém.
Gente de merda que não tem consciência social, que não sabe o que é ser Humano, que deixou passar as maiores lutas humanas por igualdade, decência, fraternidade... não estiveram lá e não sabem que existiram.
Posso escolher e não quero não deixar de ser assim como sou porque sei que, de forma natural, existem muitas pessoas assim.
Posso dar-me ao luxo de me indignar porque, de facto, ‘isto’ não é parte de mim e esta não é, certamente, a minha terra.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Senta-te ao pé de mim
Tinha mesmo de apartar-me.
De sair e andar... como se andar me fosse levar mais longe nesta película. Insisti num fast forward tão desejado que por momentos tive de puxar o boneco atrás e equilibrar o corpo.
Parei ali, naquele jardim, no meio de velharias bafientas iluminadas pelos raios deste forte sol primaveril, a irromper entre as folhagens daquelas centenárias árvores.
Tentei passar os olhos naquelas histórias de vida, repletas de momentos comuns a tantos nós, e inevitavelmente era eu que estava ali... em tantos daqueles objectos perdidos no espaço. Era eu ali.
Devorei a sandwich como se fosses tu e automaticamente colei o meu corpo naquele banco de jardim de maneira a ficar de frente para o sol.
Ali fiquei. A esfriar o pensamento na esperança que este me aquecesse a alma.
Não passei à cena seguinte porque insististe em ali estar ... naquele quadradinho do lado. Como se esperasses que eu agisse. Como se fosse a minha acção que te alimentasse.
Creio que na realidade não reagi sequer, limitei-me a permanecer naquele banco enquanto o meu corpo se movimentou, vazio de pensamentos, de sentimentos, de desejos...
Passei pelo banco de novo e lá estavam eles, amontoados, à espera... que te sentes ao pé de mim.
De sair e andar... como se andar me fosse levar mais longe nesta película. Insisti num fast forward tão desejado que por momentos tive de puxar o boneco atrás e equilibrar o corpo.
Parei ali, naquele jardim, no meio de velharias bafientas iluminadas pelos raios deste forte sol primaveril, a irromper entre as folhagens daquelas centenárias árvores.
Tentei passar os olhos naquelas histórias de vida, repletas de momentos comuns a tantos nós, e inevitavelmente era eu que estava ali... em tantos daqueles objectos perdidos no espaço. Era eu ali.
Devorei a sandwich como se fosses tu e automaticamente colei o meu corpo naquele banco de jardim de maneira a ficar de frente para o sol.
Ali fiquei. A esfriar o pensamento na esperança que este me aquecesse a alma.
Não passei à cena seguinte porque insististe em ali estar ... naquele quadradinho do lado. Como se esperasses que eu agisse. Como se fosse a minha acção que te alimentasse.
Creio que na realidade não reagi sequer, limitei-me a permanecer naquele banco enquanto o meu corpo se movimentou, vazio de pensamentos, de sentimentos, de desejos...
Passei pelo banco de novo e lá estavam eles, amontoados, à espera... que te sentes ao pé de mim.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Precisa-se explicador!!
Quem achar que um surfer não tem nada na cabeça...
não sabe do que está a falar!!
Aqueles de vós que sabem da minha última façanha devem estar a pensar o que será que ela vai inventar a seguir... já está em movimentação mas fica para um próximo post, que só poderá ser divulgado mais lá para a frente.
Lá me decidi é verdade... e resolvi lançar-me ao mar. Pesca nunca foi o meu forte por isso fiquei-me pelas ondas. Mal sabia eu!
No primeiro dia meio a medo e sem saber muito bem se iria gostar aventurei-me com um molho de gente e um pinguim alto e espadaúdo que parece só tinha duas palavras no seu vocabulário: «Rema Verónica!!! Rema, rema rema» Ufaaaaa – acho que fiquei cansada só de o ouvir.
Nunca eu me tinha visto com tamanha tensão em experimentar uma coisa totalmente nova, dolorosa que me estava a sair mas ao mesmo tempo relaxante...
Depois de 3 aulas de surf e de sentir que gosto mesmo desta coisa de passar frio na água, de cair mais vezes do que as que estou em pé na prancha, de não sentir os braços de tanto remar e levar com pranchas dos outros... pensei que tinha de dar um passo em frente. Decidi hoje, com milhões de outras coisas para fazer – banais e talvez não – decidi, dizia eu, dedicar-me a perceber uma das componentes do surf que, aposto, a maior parte das pessoas pensa que é pura intuição, sorte ou teorias de ‘saber fazer’ sem qualquer espécie de ‘saber saber’ associado.
Pois ENGANEM-SE!! Enganem-se vós alminhas dispersas no Universo, que isto é matéria de cadeirão da faculdade.
Acedo ao mais fantástico site dedicado às condições climatéricas (pelo menos o mais consultado pelos experts na matéria) e eis que me deparo com uma verdadeira tabela quase química daquelas que fazíamos cábulas no secundário para não decorar (vá vá não digam que não faziam!!).
O meu primeiro olhar é de confusão mas sempre com a ilusão que «não há-de ser assim tããoo complicado quanto parece».
Olhar esse que, após algumas interpretações feitas por um surf boy experiente na matéria passou a ser um olhar de perfeito pânico!!!
Agora é que eu me tramei... e daqui não me safo porque se quero ir surfar sozinha é melhor perceber alguma coisa de setas, estrelas, ventos e... uma miscelânea de conceitos – básicos até mas com os quais não estou familiarizada – mas não querendo dar parte de fraca faço um esforço ENORME para tentar perceber.
Sou denunciada pela minha expressividade – eu disse que nem sempre era uma coisa boa!!
Eis quando vem a solução...
«Num destes dias vais para a praia e vês que o vento e as ondas estão boas... perguntas a alguém e decoras a resposta. :) Já sabes que quando estiver assim está bom.»
Naturalmente soltei uma gargalhada!!!
Eis, minha gente, o que não me tinha ocorrido fazer mas que para alguém nas minhas condições é o verdadeiro mestrado em Surf.
Quais técnicas de comunicação qual quê!!! A vida na mais simples essência – nada de complicar.
Decidi então escrever as perguntas todas que me ocorrerem e depois procurar respostas ... numa tentativa mais a sério de perceber isto das ondas, das marés, dos ventos... em suma, do Surf.
Magíka
não sabe do que está a falar!!
Aqueles de vós que sabem da minha última façanha devem estar a pensar o que será que ela vai inventar a seguir... já está em movimentação mas fica para um próximo post, que só poderá ser divulgado mais lá para a frente.
Lá me decidi é verdade... e resolvi lançar-me ao mar. Pesca nunca foi o meu forte por isso fiquei-me pelas ondas. Mal sabia eu!
No primeiro dia meio a medo e sem saber muito bem se iria gostar aventurei-me com um molho de gente e um pinguim alto e espadaúdo que parece só tinha duas palavras no seu vocabulário: «Rema Verónica!!! Rema, rema rema» Ufaaaaa – acho que fiquei cansada só de o ouvir.
Nunca eu me tinha visto com tamanha tensão em experimentar uma coisa totalmente nova, dolorosa que me estava a sair mas ao mesmo tempo relaxante...
Depois de 3 aulas de surf e de sentir que gosto mesmo desta coisa de passar frio na água, de cair mais vezes do que as que estou em pé na prancha, de não sentir os braços de tanto remar e levar com pranchas dos outros... pensei que tinha de dar um passo em frente. Decidi hoje, com milhões de outras coisas para fazer – banais e talvez não – decidi, dizia eu, dedicar-me a perceber uma das componentes do surf que, aposto, a maior parte das pessoas pensa que é pura intuição, sorte ou teorias de ‘saber fazer’ sem qualquer espécie de ‘saber saber’ associado.
Pois ENGANEM-SE!! Enganem-se vós alminhas dispersas no Universo, que isto é matéria de cadeirão da faculdade.
Acedo ao mais fantástico site dedicado às condições climatéricas (pelo menos o mais consultado pelos experts na matéria) e eis que me deparo com uma verdadeira tabela quase química daquelas que fazíamos cábulas no secundário para não decorar (vá vá não digam que não faziam!!).
O meu primeiro olhar é de confusão mas sempre com a ilusão que «não há-de ser assim tããoo complicado quanto parece».
Olhar esse que, após algumas interpretações feitas por um surf boy experiente na matéria passou a ser um olhar de perfeito pânico!!!
Agora é que eu me tramei... e daqui não me safo porque se quero ir surfar sozinha é melhor perceber alguma coisa de setas, estrelas, ventos e... uma miscelânea de conceitos – básicos até mas com os quais não estou familiarizada – mas não querendo dar parte de fraca faço um esforço ENORME para tentar perceber.
Sou denunciada pela minha expressividade – eu disse que nem sempre era uma coisa boa!!
Eis quando vem a solução...
«Num destes dias vais para a praia e vês que o vento e as ondas estão boas... perguntas a alguém e decoras a resposta. :) Já sabes que quando estiver assim está bom.»
Naturalmente soltei uma gargalhada!!!
Eis, minha gente, o que não me tinha ocorrido fazer mas que para alguém nas minhas condições é o verdadeiro mestrado em Surf.
Quais técnicas de comunicação qual quê!!! A vida na mais simples essência – nada de complicar.
Decidi então escrever as perguntas todas que me ocorrerem e depois procurar respostas ... numa tentativa mais a sério de perceber isto das ondas, das marés, dos ventos... em suma, do Surf.
Magíka
sábado, 21 de março de 2009
Somos só nós
Como o meu amante
Deixo-me deslizar para ti
Leve
Num só movimento escolho o meu melhor encaixe em ti
Parece que hoje não há medos, só vontade de pairar, de fazer carreirinha contigo
De mente vazia de todos os sons menos os nossos
Forte e segura
Não te deixo, não te largo
Sinto-te hoje com mais confiança e deixo-te levares-me
Mais destemida, com mais confiança em ti
Que aqui, neste lugar, não sou dona de nada
Não sei fazer nada excepto colar-me em ti
Mesmo que o resto nos queira apartar
Tento fundir-me a ti
Uma e outra vez te seguro e me aventuro onde me quiseres levar
Deixo-me deslizar para ti
Leve
Num só movimento escolho o meu melhor encaixe em ti
Parece que hoje não há medos, só vontade de pairar, de fazer carreirinha contigo
De mente vazia de todos os sons menos os nossos
Forte e segura
Não te deixo, não te largo
Sinto-te hoje com mais confiança e deixo-te levares-me
Mais destemida, com mais confiança em ti
Que aqui, neste lugar, não sou dona de nada
Não sei fazer nada excepto colar-me em ti
Mesmo que o resto nos queira apartar
Tento fundir-me a ti
Uma e outra vez te seguro e me aventuro onde me quiseres levar
sexta-feira, 20 de março de 2009
Não há recaídas de Amor...
É no meio da tua aflição que penso na melhor forma de te assegurar que estou segura por cordas fortes que não me deixam cair...
Há Amor.
Há Amar e deixar-se levar por tudo aquilo que não sabemos explicar mas que queremos sentir de tão inebriante que é.
Há o vício do Amor – acredito eu, porque o sinto assim e que, de outra forma, não fará sentido nenhum para mim.
Há fazer loucuras por Amor – que Amor sem loucura é passar-nos ao lado o mais intenso do sentir.
Mas não há, em momento nenhum da nossa vida, recaídas de Amor.
Recaímos numa coisa que não é boa e Amor é bom... É viciante de bom.
Recair implica cair de novo e para isso teria de ter saído de lá. Melhor dizendo, daí.
Teria de ter passado a barreira do ter conseguido retirar-me daquele espaço. Não vou recair em nada apenas porque não recaio do que não saí. Deste vício bom de Amor que não é para perder. Não é para sair.
É para deixar-me aqui, neste espaço que é só meu e que alberga uma disposição natural para amar-te, neste vício danado que consome tudo em mim, enquanto me vai alimentando a vontade de ali ficar, de aninhar-me naquele calor, de pairar no ar, de sentir-me ir e sem vontade de lutar para não ficar.
Não há recaídas de Amor, por isso vou deixar-me aqui ficar porque certamente me amas assim como eu te amo a ti, assim, nessa verdadeira alienação mental em que vês tudo o resto mas só me sentes a mim meio vício meio loucura... de Amor.
«Recair – tornar a cair; cair muitas vezes; sofrer o reaparecimento dos sintomas de uma doença da qual se julgava quase curado...»
Há Amor.
Há Amar e deixar-se levar por tudo aquilo que não sabemos explicar mas que queremos sentir de tão inebriante que é.
Há o vício do Amor – acredito eu, porque o sinto assim e que, de outra forma, não fará sentido nenhum para mim.
Há fazer loucuras por Amor – que Amor sem loucura é passar-nos ao lado o mais intenso do sentir.
Mas não há, em momento nenhum da nossa vida, recaídas de Amor.
Recaímos numa coisa que não é boa e Amor é bom... É viciante de bom.
Recair implica cair de novo e para isso teria de ter saído de lá. Melhor dizendo, daí.
Teria de ter passado a barreira do ter conseguido retirar-me daquele espaço. Não vou recair em nada apenas porque não recaio do que não saí. Deste vício bom de Amor que não é para perder. Não é para sair.
É para deixar-me aqui, neste espaço que é só meu e que alberga uma disposição natural para amar-te, neste vício danado que consome tudo em mim, enquanto me vai alimentando a vontade de ali ficar, de aninhar-me naquele calor, de pairar no ar, de sentir-me ir e sem vontade de lutar para não ficar.
Não há recaídas de Amor, por isso vou deixar-me aqui ficar porque certamente me amas assim como eu te amo a ti, assim, nessa verdadeira alienação mental em que vês tudo o resto mas só me sentes a mim meio vício meio loucura... de Amor.
«Recair – tornar a cair; cair muitas vezes; sofrer o reaparecimento dos sintomas de uma doença da qual se julgava quase curado...»
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