quarta-feira, 5 de maio de 2010

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Numa dessas muitas séries que vemos na TV, muitas vezes fora de horas, outras tantas repetidas, vi uma cena que culminava numa frase que me fez tremer. Não interessa muito o enquadramento mas para que se situem aqui vai: alguém tinha perdido todos os seus bens e a juíza, muito indignada, com um semblante carregado e estupefacto, pergunta «O que aconteceu ao seu dinheiro... o que fez a tudo o que adquiriu nestes anos todos... as coisas que se adquirem ao longo da vida. Onde estão as coisas pelas quais se mede uma vida?»

Existem coisas que nos assustam e, não há muito tempo, numa conversa de final de noite entre alguns dos meus amigos mais chegados, partilhei um dos meus maiores receios.
Ficar sem tecto.
Existe um milhão de coisas que nos podem afligir mas no meio delas existem receios, e quiçá medos profundos, que embora saibamos serem quase impossíveis – repito, quase impossíveis – nos assolam a alma.
A mim será isso... ficar sem tecto. Sem calor, sem conforto...
Quem tem Família, quem tem Amigos, quem tem Amor, não fica sem tecto... pareceu ser a resposta unânime. Mas quem sabe o que levou àquele instante em que os sem tecto do mundo o passaram a ser... com Família, com Amigos, com Amor... Em que perdem tudo deixando a vida levar o que de mais valioso têm. Muitas vezes sem poderem ripostar, outras porque apenas baixaram os braços.
É um medo irracional e sem explicação possível. Não retrai, não assusta fazendo retroceder. Existe e é forte mas não impede de avançar.
E porque num minuto posso perder tudo, mesmo aquilo que é meu, vou vivendo cada momento, cada instante, sofregamente ...
Foi nesta leveza de estar e de querer que fui largando as coisas pelas quais se mede uma vida... e é assim que sou feliz! Porque quero medir a minha vida por Amor!!


Magíka
05.05.2010

1 comentário:

Unknown disse...

like it.....
Olha se precisares de um abrigo, seja ele na margem sul ou em terras do Oeste, já sabes, tens uns amigos que te dão guarida.
Beijinhos!

ass. zé hip