sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sorriso de sabor a castanhas!!

Para quem tenha uma ligação muito forte com a comida entende, sem grandes explicações, que se percorre as maiores distâncias para satisfazer um desejo... caso contrário ele não se cala e consome-nos.
Tinha o sabor das castanhas assadas na boca fazia horas mas não havia meio de encontrar o seu cheiro...
Fechada no meu palácio de papéis pedi a quem farejasse na rua o Sr das Castanhas que me aliviasse a alma e me trouxesse um canudinho de castanhas.
Ninguém o avistou... e o desejo continuou a crescer.
Já noite caída e no limiar de salivares constantes só de imaginar castanhas quentinhas, rumo a casa desviei o caminho... apanhei o metro, saí numa estação que sabia ter castanhas de certeza e corri como se fosse apanhar o último comboio de ligação entre duas terreolas distantes. Lá estavam elas...
«Quero uma dúzia de castanhas por favor!» de olhos esbugalhados qual criança que alcançou o seu brinquedo mais precioso...
«E estão quentinhas menina.»
«Saí aqui de propósito... estava a salivar por castanhas... e pensei que já não a apanhava aqui» já de boca cheia de castanhas a queimarem a língua
«Estou aqui todos os dias menina!!»
Acenei com a cabeça que sim e fiz um adeus com a mão que já descascava freneticamente mais uma castanha.
Pronto... já não são canudinhos de jornais velhos ou de listas telefónicas... mas são castanhas assadas.
De novo no metro sentei-me no primeiro lugar que encontrei, e suspirei enquanto calmamente dava pequenas dentadinhas na castanha e sorria de verdadeira satisfação.
Sabes aquela sensação de verdadeira satisfação? Era essa, esse mesmo momento, ali.
Tinha a boca cheia de castanhas!!
Sentou-se uma senhora ao meu lado e instintivamente apresentei-lhe o pacote de castanhas enquanto num trejeito de olhar, franzir de sobrolho e acenar a cabeça dei a entender se queria uma castanha...
Primeiro pasmou-se para depois abrir um sorriso.
«Que querida!»
Enquanto eu apenas acenava com a cabeça e continuava naquele misto de movimentos corporais que tentavam comunicar alegria, satisfação e desejo que ela partilhasse aquela maravilha gastronómica comigo. Sem nenhum som...
«Tão raro isso. E as pessoas nem sorriem umas para as outras... muito menos oferecerem castanhas...» e sorria cada vez mais.
Tinha ficado verdadeiramente pasmada... mas aquele gesto tão simples fê-la, nos poucos minutos que viajámos juntas, contar-me a coincidência do seu dia em que tinha revisto uma amiga querida, e que no meu olhar viu o olhar da amiga.
«Genuinamente partilhar... Obrigada por ser assim e ter feito do meu dia melhor!» enquanto carinhosamente passa a sua mão no meu braço em jeito de mãe carinhosa.
E eu, ainda de boca de castanhas, de sorriso super feliz «Até amanhã! ... à mesma hora».
E se a encontrar de novo vou sorrir-lhe na mesma e esperar que o dia dela corra melhor só por isso.
Hoje não tenho castanhas assadas, mas tenho esperança... posso sempre partilhar!!

Magíka
05.11.2010


Existe de facto um poder inerente a um sorriso e estranho é que muitas pessoas ainda não tenham entendido isso.