domingo, 26 de abril de 2009

Faz 35 anos...

Como seria antes eu não sei.
Olho para as fotografias, escuto os milhares de histórias sempre contados com orgulho de quem lutou por um bem comum, e confesso que tenho alguma inveja. Ora bolas… afinal de contas não sentes aquela vontade de fazer algo grandioso? Não por ti… pelos outros, contigo lá.
Seriam tempos bons … ou maus… as cabeças e as vivências saberão bem melhor do que eu, que já nasci nesta Democracia cheia de Liberdade e liberdades.
Nasci nesta inércia de valores e de acções humanas louváveis, verídicas.
Conheço um estar comum que é um querer tudo e não lutar realmente por nada. Uma gigante onda de pessoas que não se conhecem, não se querem conhecer, não se querem unir, que caminham roboticamente nos trilhos do que traçam não por instinto mas por hábito instituído.
Gosto dos cravos, do 25, da sinalética de todo um movimento, mas não puxo mais por uma ideologia que outra… são apenas pensamentos, nem sempre muito debruçados, de uma não-política que vibra com as vitórias de uma conquista real.
Quando era pequena o 25 de Abril não tinha sentimento político, tinha dia de festa e de gente na rua. Já cresci, tanto quanto o 25, e continuo a ver uma festa de todos os que escolhem premiar este dia com recordações valiosas para a nossa pátria. Com as famílias, com os amigos, com os vizinhos, com os não vizinhos, mais, ou menos, eufóricos mas de cravo ao peito e a cantarolar um Zeca.
São só palavras que não retratam todas as possíveis formas de se ter vivido, e sobrevivido, uma época que se conseguiu compactar numa estrondosa sensação de grandiosidade que se transmite só num dia… a uma menina que todos os anos ainda descobre mais uma história de cravos, na rua, no meio do povo. Que vê um Portugal diferente.
É este o meu 25 de Abril, outros haverá tão diferentes do meu.

Magíka


1 comentário:

JCD disse...
Este comentário foi removido pelo autor.